Dubai está a acelerar uma estratégia de mobilidade assente na combinação entre transporte público, caminhabilidade, bicicleta, veículos autónomos e novas infraestruturas rodoviárias. A abordagem surge no quadro da expansão urbana do emirado e procura responder a um desafio central: acomodar crescimento populacional e económico sem depender apenas de mais capacidade viária para automóveis.
Entre as medidas em desenvolvimento destacam-se mais de 3.000 quilómetros de percursos pedonais, incluindo troços sombreados, e 110 pontes e túneis destinados a melhorar a acessibilidade a pé. A aposta em ligações pedonais e cicláveis é particularmente relevante numa cidade onde o clima, as grandes distâncias e a estrutura urbana têm historicamente limitado as deslocações não motorizadas.
A estratégia articula-se também com o Dubai 2040 Urban Master Plan, que prevê melhorias na ligação entre comunidades e estações de transporte público. O objetivo é aproximar habitação, emprego, serviços e redes de transporte de alta capacidade, reduzindo a dependência do automóvel e favorecendo viagens completas mais integradas. Especialistas citados pela imprensa local sublinham que os maiores ganhos deverão resultar da expansão do transporte de massa, incluindo ferrovia e metro, apoiada por autocarros alimentadores, mobilidade partilhada, park and ride e boas ligações de primeira e última milha.
O caso de Dubai é relevante para outras áreas metropolitanas porque mostra a importância de tratar novas estradas, transporte coletivo e planeamento urbano como partes do mesmo sistema. A construção de infraestrutura rodoviária pode resolver estrangulamentos localizados, mas a redução estrutural do congestionamento depende da capacidade de transportar mais pessoas de forma eficiente, com menor ocupação de espaço por passageiro e melhor integração entre redes, tarifas e localização das atividades.
Fonte principal: The National. (2026). “Dubai action plan aims to cut congestion and pave way for healthier future”. The National, 7 de julho de 2026.