A criação de um passe intermodal de âmbito nacional voltou ao centro da discussão sobre a política tarifária dos transportes públicos em Portugal. A proposta de um Passe de Mobilidade Nacional, defendida pelo Livre e novamente colocada no contexto da preparação do Orçamento do Estado para 2027, surge em paralelo com o trabalho que o Governo tem vindo a desenvolver para criar um título que permita uma utilização mais integrada dos diferentes sistemas de transporte existentes no país.
A proposta pretende evoluir a partir do atual Passe Ferroviário Verde para um título válido em transportes urbanos, suburbanos e regionais, abrangendo modos rodoviários, ferroviários e fluviais e admitindo ainda a integração de outras soluções de mobilidade. O modelo definitivo e o respetivo impacto orçamental não se encontram ainda fechados.
O Governo tem, por seu lado, vindo a anunciar o desenvolvimento de um passe intermodal nacional. A integração enfrenta dificuldades tecnológicas e institucionais relacionadas com a existência de diferentes sistemas de bilhética, regras de validação e mecanismos de repartição de receitas entre operadores. A plataforma 1Bilhete.pt constitui uma das infraestruturas que poderão contribuir para essa interoperabilidade.
Mais do que a criação de um novo produto tarifário, a discussão evidencia um dos principais desafios da integração dos transportes públicos portugueses: compatibilizar sistemas de bilhética, operadores e autoridades de transporte que atualmente funcionam segundo modelos distintos. A eventual evolução para um título nacional dependerá, por isso, não apenas da definição do preço e do financiamento público, mas também de uma arquitetura técnica e institucional capaz de distribuir receitas e reconhecer viagens realizadas em diferentes redes.
Fonte principal: Pinto, S. (2026). “Governo mais perto do Passe de Mobilidade Nacional do Livre”. ECO, 17 de setembro de 2026.