Resiliência dos transportes começa a considerar como as crises afetam diferentes grupos

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A capacidade de uma rede de transportes resistir e recuperar de uma crise não deve ser avaliada apenas pelo número de serviços interrompidos ou pelo tempo necessário para restabelecer a operação. O International Transport Forum está a estudar como os efeitos das perturbações se distribuem pela população, reconhecendo que diferentes padrões de mobilidade podem tornar alguns grupos particularmente vulneráveis quando uma rede deixa de funcionar normalmente.

O projeto “Transport Network Resilience to Critical Events: A Gender Perspective”, desenvolvido pelo International Transport Forum em conjunto com a FIA Foundation e em cooperação com o Centro da OCDE para o Empreendedorismo, PME, Regiões e Cidades, analisa especificamente as diferenças entre homens e mulheres perante acontecimentos críticos. A 9 de setembro realizou-se o segundo workshop de especialistas do projeto, centrado na governação, nos dados disponíveis e nos estudos de caso que servirão de base à análise.

Uma das dimensões consideradas são as responsabilidades de cuidado e os padrões de deslocação que lhes estão associados. Viagens com vários destinos ao longo do dia, combinando emprego, escolas, serviços, compras ou assistência a familiares, podem ser mais difíceis de reorganizar quando uma ligação de transporte público é suspensa ou uma infraestrutura fica indisponível. As consequências de uma perturbação podem, por isso, ser muito diferentes mesmo entre pessoas residentes na mesma área.

O trabalho procura identificar lacunas de conhecimento e de dados e desenvolver recomendações para estratégias de resiliência mais sensíveis a estas diferenças. A abordagem amplia o conceito tradicional de resiliência das redes: para além de recuperar infraestrutura e operação, torna-se necessário avaliar em que medida o sistema continua a assegurar acesso ao emprego, educação, serviços e redes sociais durante uma crise.

Esta perspetiva tem implicações diretas no planeamento dos transportes. Mapear apenas infraestruturas críticas pode não ser suficiente; é igualmente necessário compreender quem depende de cada ligação, para que atividades e que alternativas estão efetivamente disponíveis quando o sistema é perturbado.

Fonte principal: International Transport Forum (2026). “Second Expert Workshop on Transport Network Resilience to Critical Events: A Gender Perspective”. ITF/FIA Foundation, 9 de setembro de 2026.