A Região Centro de Portugal prepara-se para uma transformação profunda nos seus sistemas de transporte e infraestruturas no âmbito do programa Portugal 2030. Com um foco claro na descarbonização e na transição para uma economia de zero emissões líquidas, a estratégia delineada para este território combina investimentos massivos na modernização ferroviária com soluções inovadoras de mobilidade urbana inteligente. Segundo o documento orientador do Programa Regional Centro 2030, a prioridade passa por reduzir a dependência do transporte individual e promover uma conectividade regional mais robusta, sustentável e inclusiva.
O caminho-de-ferro assume um papel central nesta visão estratégica. Um dos projetos de maior relevo é a modernização e eletrificação da Linha do Oeste, que conta com uma dotação prevista de 65,7 milhões de euros provenientes do FEDER. Esta intervenção visa eliminar os estrangulamentos atuais, permitindo a circulação exclusiva de comboios elétricos, o que resultará numa redução significativa dos tempos de viagem e das emissões de gases com efeito de estufa. Paralelamente, o programa contempla a requalificação da Linha do Vouga, com um investimento estimado de 34,9 milhões de euros para o troço na NUTS II Centro, garantindo a sua plena integração na malha urbana entre Aveiro e Espinho. Outro eixo crítico é a criação do Porto Seco da Guarda, uma infraestrutura logística avançada desenhada para reposicionar a região nos corredores transeuropeus de transporte.
No ambiente urbano, a estratégia foca-se na promoção da mobilidade multimodal e ativa. O roteiro regional privilegia a execução de planos de descarbonização que dão prioridade absoluta ao transporte coletivo através de corredores dedicados e sistemas de gestão inteligente de tráfego. O incentivo ao uso da bicicleta e à mobilidade pedonal é reforçado pelo apoio à construção de ciclovias e à qualificação de interfaces que facilitem a transição entre diferentes modos de transporte. Mais do que apenas infraestrutura, o Centro 2030 aposta no conceito de “Smart Mobility” e na filosofia da cidade de 15 minutos, procurando garantir que as necessidades diárias dos cidadãos possam ser satisfeitas a uma curta distância das suas residências, integrando planeamento urbano e logística sustentável.
A transição energética ganha uma dimensão prática no Médio Tejo, território abrangido pelo Fundo de Transição Justa após o fecho da Central do Pego. Estão previstos projetos inovadores como a instalação de uma unidade de produção de hidrogénio verde em Abrantes para abastecimento de veículos e a criação de um circuito turístico em Fátima sustentado por comboios e autocarros 100% elétricos. Estas iniciativas não só visam a neutralidade carbónica, mas também a criação de novas cadeias de valor industriais. Em suma, o Programa Regional Centro 2030 posiciona a mobilidade como um motor de coesão social e competitividade económica, assegurando que o desenvolvimento do território respeita as metas climáticas mais exigentes da União Europeia.