África do Sul quer recentrar a logística na ferrovia e nos portos

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A África do Sul colocou a reforma ferroviária e portuária no centro da discussão da Southern African Transport Conference 2026. Na sessão de abertura, a ministra dos Transportes, Barbara Creecy, apresentou a recuperação do sistema logístico como uma prioridade nacional, num contexto marcado por anos de subinvestimento, perda de desempenho ferroviário e portuário e crescente pressão competitiva de países vizinhos.

A leitura apresentada é particularmente relevante porque liga diretamente infraestrutura, economia e organização modal. A degradação da ferrovia e dos portos não afeta apenas a circulação de mercadorias; condiciona cadeias de abastecimento, competitividade internacional, emprego, segurança rodoviária e emissões. Quando a carga migra para a rodovia por incapacidade do sistema ferroviário, os custos externos acumulam-se nas estradas, nas cidades e nos corredores logísticos.

A prioridade anunciada passa por reconstruir a ferrovia como espinha dorsal da logística de mercadorias, promovendo uma transferência progressiva da estrada para o comboio. Esta orientação pode reduzir congestionamento, sinistralidade, desgaste da infraestrutura rodoviária e emissões de CO2, desde que seja acompanhada por reformas operacionais, investimento e capacidade efetiva de prestação de serviço.

Para a mobilidade e logística urbana, a mensagem é indireta mas importante. Portos e corredores ferroviários eficientes reduzem pressão sobre acessos urbanos, terminais e redes rodoviárias metropolitanas. A política de transporte de mercadorias não termina nos grandes eixos nacionais; repercute-se na qualidade do ar, na segurança e na eficiência das cidades onde se concentram armazéns, portos, centros logísticos e distribuição de última milha.

Fonte principal: Shipping and Freight Resource. (2026, 7 de julho). “SATC 2026: South Africa’s transport reset faces the test of delivery”.