Fadiga dos motoristas volta ao debate europeu sobre segurança no transporte rodoviário

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A Federação Europeia dos Trabalhadores dos Transportes publicou novos materiais de sensibilização no âmbito do Driver Fatigue Day 2026, colocando novamente a fadiga dos motoristas no centro do debate sobre segurança rodoviária e qualidade do serviço. A iniciativa dirige-se ao transporte rodoviário e tem particular relevância para o transporte público urbano e interurbano, onde horários extensos, pressão operacional e congestionamento podem aumentar o risco de cansaço acumulado.

Embora a fadiga seja muitas vezes tratada como uma questão individual, a sua origem é frequentemente sistémica. Escalas mal desenhadas, tempos de descanso insuficientes, ausência de pausas adequadas, pressão para cumprir horários e condições de circulação imprevisíveis podem transformar o cansaço num risco operacional. No transporte coletivo, este risco afeta simultaneamente trabalhadores, passageiros e restantes utilizadores da via.

A publicação de materiais específicos para motoristas de autocarro deve ser lida como um alerta para autoridades, operadores e entidades reguladoras. A melhoria da segurança não depende apenas da renovação de frota, da tecnologia embarcada ou da fiscalização; depende também da organização do trabalho e da forma como os contratos de serviço público incorporam requisitos realistas de operação.

Para os sistemas urbanos, o tema é especialmente sensível. A fiabilidade do transporte público exige motoristas disponíveis e concentrados, mas essa exigência só é sustentável se os horários, tempos de terminal e condições de descanso forem compatíveis com a realidade da circulação. A fadiga deve, por isso, ser tratada como indicador de qualidade operacional e não apenas como problema laboral.

Fonte principal: European Transport Workers’ Federation. (2026, 7 de julho). “ETF leaflets Driver Fatigue Day 2026”.