União Europeia quer levar a inovação em mobilidade para além dos projetos-piloto

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A política europeia de inovação em mobilidade está a deslocar progressivamente a atenção da experimentação para a implantação de soluções em maior escala. Depois de anos de projetos de investigação e demonstração, a prioridade começa a passar pela redução do risco associado à adoção, pela replicação em diferentes cidades e pela incorporação das soluções nos sistemas de transporte existentes.

A orientação é destacada por Yannick Bousse, responsável por projetos no setor de transportes integrados e cidades da Agência Executiva Europeia do Clima, das Infraestruturas e do Ambiente (CINEA), numa entrevista publicada pela Eurocities a 9 de setembro. Segundo o responsável, as propostas financiadas pela União Europeia têm aumentado de dimensão e envolvido consórcios mais integrados, juntando autoridades municipais, autoridades de transporte público, operadores, indústria, entidades de investigação e representantes da sociedade civil.

Existe simultaneamente uma deslocação para projetos do tipo Innovation Action. A lógica deixa de estar apenas na investigação de novas tecnologias e passa a incluir a demonstração e implantação de soluções já suficientemente desenvolvidas. Transporte público, logística urbana e serviços digitais de mobilidade estão entre as áreas referidas pela CINEA como particularmente relevantes para as cidades.

A mudança responde a um problema recorrente na inovação urbana: muitas tecnologias demonstram bons resultados em projetos-piloto mas não conseguem ultrapassar essa fase. Para Bousse, já existe conhecimento suficiente sobre diversas soluções que funcionam, sendo agora necessário reduzir o risco percebido pelas cidades e criar condições para a sua exploração, replicação e implantação em grande escala.

Programas como o Horizonte Europa, Connecting Europe Facility e LIFE continuam a financiar esta transformação. A CINEA recomenda, no entanto, que as cidades partam dos problemas concretos que pretendem resolver e só depois procurem o instrumento de financiamento adequado. Esta abordagem favorece projetos orientados para necessidades reais e pode ajudar a evitar experiências tecnológicas sem continuidade depois de terminado o financiamento europeu.

Fonte principal: Eurocities (2026). “We already know many solutions that work for cities”. Entrevista a Yannick Bousse, CINEA, 9 de setembro de 2026.