Medir tráfego e poluição no mesmo ponto muda o planeamento urbano

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A gestão do tráfego e a política ambiental são frequentemente tratadas através de sistemas de monitorização diferentes. Uma rede conta veículos, outra mede poluentes e uma terceira regista condições meteorológicas. Integrar essas fontes permite passar de uma fotografia fragmentada da cidade para uma leitura mais próxima das relações entre mobilidade, ambiente e qualidade de vida.

Podgorica está a testar essa abordagem através de sete estações de monitorização instaladas em diferentes pontos da capital do Montenegro. A tecnologia AirQino conta veículos e mede simultaneamente diferentes poluentes, enviando informação em tempo real para uma plataforma central. Os dados podem ainda ser combinados com informação meteorológica e de satélite e utilizados em modelos de previsão apoiados por inteligência artificial.

O interesse desta abordagem não reside apenas na quantidade de informação recolhida. Uma cidade que conhece simultaneamente intensidade de tráfego, localização, período horário e concentração de poluentes consegue selecionar melhor onde deve intervir. Podgorica admite utilizar os resultados para estudar medidas tão diferentes como acalmia de tráfego, barreiras acústicas ou uma eventual zona de baixas emissões.

A análise, contudo, exige algum cuidado. Uma correlação entre mais veículos e maior concentração de determinado poluente não significa automaticamente que todo o aumento seja causado pelo tráfego. Meteorologia, aquecimento doméstico, características da frota, velocidade dos veículos e condições de dispersão atmosférica podem alterar substancialmente os valores registados. Quanto mais fontes forem integradas, maior será a capacidade de separar estes efeitos.

É precisamente aqui que os sistemas de observação começam a adquirir valor para o planeamento. Contagens pontuais realizadas uma vez por ano continuam a ser importantes para conhecer volumes e calibrar modelos, mas sensores permanentes permitem perceber sazonalidade, dias atípicos e mudanças estruturais. A extensão do piloto de Podgorica para um ano completo procura precisamente capturar diferentes estações e períodos de procura.

Também em Portugal existe espaço para aproximar a monitorização ambiental da gestão da mobilidade. Muitos municípios já dispõem de contagens de tráfego, informação de transporte público, sensores ambientais ou dados de estacionamento, mas estes sistemas nem sempre comunicam entre si. Integrá-los pode transformar o acompanhamento dos planos de mobilidade, permitindo avaliar medidas antes e depois da sua implementação e fundamentar decisões com evidência territorial muito mais detalhada.