A conferência Velo-city 2026, realizada em Rimini, em Itália, destacou a crescente integração da bicicleta nas redes multimodais de transporte. O encontro, promovido no ecossistema da Federação Europeia de Ciclistas, reuniu mais de 1.400 participantes de mais de 60 países e mostrou como a mobilidade ciclável deixou de ser apenas uma política setorial para passar a integrar estratégias de transporte, turismo e desenvolvimento urbano.
O caso de Rimini é particularmente interessante porque combina uma cidade histórica compacta, ruas estreitas e congestionadas, forte pressão turística e uma estação ferroviária central com boas ligações regionais. Esta combinação cria condições favoráveis à bicicleta, mas também exige uma gestão cuidadosa do espaço público, das interfaces e da convivência entre peões, autocarros, automóveis, mercadorias e utilizadores de modos suaves.
Nos últimos 15 anos, Rimini tem apostado na bicicleta como resposta a parte dos seus problemas de congestionamento e como elemento de reposicionamento turístico. A conferência evidenciou precisamente esse duplo papel: a bicicleta como modo quotidiano de deslocação urbana e como ativo económico associado ao turismo ciclável, sobretudo em regiões com património, paisagem e ligações ferroviárias capazes de suportar viagens sem dependência do automóvel.
Para as cidades portuguesas, a leitura é direta. A mobilidade ciclável ganha eficácia quando deixa de ser tratada como rede isolada e passa a ser desenhada em ligação com estações ferroviárias, interfaces de autocarro, zonas turísticas, centros históricos e frentes ribeirinhas. O desafio está menos na promoção abstrata da bicicleta e mais na criação de continuidade, segurança e articulação operacional com o transporte público.
Fonte principal: Metro Magazine. (2026, 6 de julho). “Velo-city Conference 2026: Latest Trends in Cycling as Part of Urban Mobility”.