Peso no bolso: os indicadores que o IMPT utiliza para medir a acessibilidade económica

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O Índice Multidimensional de Pobreza nos Transportes (IMPT) afirma-se como uma ferramenta de precisão para os gestores do território, permitindo diagnosticar situações em que a mobilidade se torna um fardo financeiro incomportável para as famílias. No que respeita à dimensão da acessibilidade económica, também designada pelo conceito internacional de affordability, o índice não se limita a analisar o preço das tarifas, mas cruza dados que refletem a real capacidade de pagamento dos cidadãos face ao seu custo de vida.

Para determinar o nível de pobreza económica associado aos transportes, a metodologia desenvolvida pelo Instituto Superior Técnico integra três indicadores fundamentais: o rendimento das famílias, os encargos diretos com as deslocações para o trabalho e os encargos com a habitação. Esta abordagem integrada é crucial porque reconhece que o acesso à mobilidade é condicionado pelo que resta no orçamento doméstico após o pagamento das despesas fixas de sobrevivência, permitindo identificar grupos que estão em risco de exclusão social devido a custos de deslocação desproporcionais aos seus ganhos.

A inclusão dos custos de habitação nesta análise é particularmente relevante para a realidade portuguesa, uma vez que muitas famílias são empurradas para zonas periféricas em busca de rendas mais baixas, acabando por gastar a poupança conseguida em deslocações mais longas e dispendiosas para os centros de emprego. Ao utilizar estes indicadores, baseados em dados públicos e periódicos como os Censos, o IMPT fornece uma base de evidência sólida para a definição de políticas públicas mais justas, como a atribuição de passes sociais ou o reforço de verbas do Fundo Social para a Ação Climática.

Fonte Principal: TML acolheu workshop sobre o Índice Multidimensional de Pobreza nos Transportes (IMPT) – Transportes Metropolitanos de Lisboa.