A segurança nas deslocações urbanas é uma das dimensões mais críticas para garantir que o direito à mobilidade não seja comprometido pelo risco físico. No âmbito do Índice Multidimensional de Pobreza nos Transportes (IMPT), recentemente apresentado pela Transportes Metropolitanos de Lisboa e desenvolvido pelo Instituto Superior Técnico, o pilar da segurança rodoviária assume um papel central na identificação de territórios onde a infraestrutura ou o comportamento do tráfego criam barreiras à inclusão social. Este indicador não se limita à análise superficial de perigo, baseando-se em métricas estatísticas rigorosas que permitem uma leitura objetiva da sinistralidade.
Os principais indicadores utilizados para consolidar este pilar são o número total de acidentes, o número de vítimas e os índices de gravidade das ocorrências registadas. Esta abordagem permite aos gestores do território identificar não só os pontos negros das vias, mas também compreender onde a vulnerabilidade dos utilizadores é mais acentuada. Esta perspetiva é complementada por referenciais da Comissão Europeia, que destacam como indicadores fundamentais o número de mortes na estrada e a segurança especificamente direcionada para os modos ativos, como peões e ciclistas, que são frequentemente os grupos mais expostos à pobreza nos transportes.
Para além dos dados quantitativos de sinistralidade, a segurança rodoviária é também avaliada através da qualidade da infraestrutura e da sinalização existente. Em estudos de mobilidade urbana, considera-se a facilidade de acesso aos equipamentos de transporte, o cumprimento das regras de trânsito e a existência de vias segregadas, como as faixas exclusivas para transportes públicos, que minimizam o conflito entre diferentes modos de deslocação. A integração destes dados permite concluir que um sistema de transportes só é verdadeiramente inclusivo quando garante que a integridade física dos cidadãos é preservada durante todo o percurso, desde o momento em que saem de casa até ao seu destino final.
Fonte Principal: TML acolheu workshop sobre o Índice Multidimensional de Pobreza nos Transportes (IMPT) – Transportes Metropolitanos de Lisboa.