A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) identifica a transformação dos terminais rodoviários em verdadeiros centros estratégicos de mobilidade, ou hubs, como um passo essencial para a eficiência do setor em Portugal. No seu mais recente estudo, o regulador elenca um conjunto de boas práticas internacionais e nacionais que visam superar o atual modelo de simples paragem, apostando numa gestão profissionalizada e tecnologicamente avançada. No domínio da governação, destaca-se como prioridade a adoção de um Registo Nacional de Terminais Rodoviários, uma ferramenta digital que deve reunir informações normalizadas sobre a localização, capacidade, serviços e níveis de qualidade de cada infraestrutura, garantindo transparência total para operadores e passageiros.
Um dos pilares fundamentais desta reforma é a separação clara entre as funções de gestão dos terminais e a operação dos serviços de transporte. Esta independência funcional e contabilística é vista como o mecanismo mais eficaz para prevenir conflitos de interesses e garantir que todos os operadores, sejam eles incumbentes ou novos entrantes no mercado, acedam à infraestrutura em condições de neutralidade e equidade. A AMT defende ainda que a exploração destas gares deve ser feita através de contratos de concessão transparentes e submetidos à concorrência, com metas de desempenho mensuráveis que penalizem o incumprimento e premiem a qualidade do serviço prestado ao cidadão.
A digitalização surge como o grande catalisador desta modernização. O relatório aponta para a integração total da mobilidade em plataformas interoperáveis, conhecidas como Mobilidade como um Serviço (MaaS), permitindo que o planeamento de viagens, a bilhética e a informação em tempo real estejam acessíveis num único interface digital. Paralelamente, o planeamento urbano deve integrar os terminais como elementos estruturantes do território, localizando-os junto a eixos de transporte pesado, como comboios ou metros, e dotando-os de funções complementares, como áreas comerciais e serviços públicos, que valorizem o espaço urbano envolvente.
No que toca à sustentabilidade, a visão da AMT é inequívoca ao exigir o cumprimento rigoroso das normas de acessibilidade universal e a integração sistemática de critérios ambientais na gestão. A promoção ativa da mobilidade suave e partilhada, através da criação de parques de bicicletas e de boas ligações pedonais seguras, é fundamental para resolver o desafio da “última milha” e reduzir a dependência do automóvel privado. A concretização destas práticas exige agora uma atuação concertada e uma visão estratégica de longo prazo entre autoridades de transporte, municípios e o setor privado.
Fonte Principal: AMT (2026). Terminais Rodoviários de Transporte de Passageiros: Estudo Estratégico e Proposta de Reforma.