O setor global da construção e das infraestruturas prepara-se para uma mudança estrutural profunda, onde as máquinas deixam de ser simples assistentes para passarem a perceber, decidir e agir de forma autónoma. De acordo com as mais recentes projeções da Counterpoint Research, as remessas acumuladas de dispositivos de Inteligência Artificial (IA) física deverão atingir os 145 milhões de unidades entre 2025 e 2035. Este volume massivo abrange veículos autónomos, robótica e drones, sinalizando uma transição definitiva da inteligência puramente digital para sistemas que interagem diretamente com o mundo tangível, adaptando-se a ambientes complexos e imprevisíveis com intervenção humana mínima.
Esta evolução tecnológica surge como uma resposta direta a pressões históricas da indústria, como a escassez de mão-de-obra qualificada, a crescente complexidade dos projetos e a necessidade de cumprir normas de segurança cada vez mais rigorosas. No centro desta transformação estão os veículos autónomos, considerados a pedra basilar do mercado de IA física. Embora o volume de unidades possa crescer de forma gradual, o seu valor comercial será dominante, com sistemas de Nível 4 e superior a serem já testados em corredores logísticos, operações mineiras e redes de mobilidade urbana.
Enquanto os robôs de serviço lideram o volume de utilização em armazéns e explorações agrícolas, os robôs humanoides representam o segmento com o crescimento mais acelerado. Com empresas como a Tesla, Unitree Robotics e Agibot na vanguarda, prevê-se que as implementações acumuladas destes sistemas superem as 100 mil unidades em 2028. Contudo, são os drones comerciais que garantem a implementação em larga escala mais imediata. Pelo seu custo reduzido e versatilidade, estas aeronaves não tripuladas tornaram-se ferramentas indispensáveis para inspeção de ativos e monitorização de progresso em projetos de engenharia civil.
A maturidade desta indústria está a alterar drasticamente a estrutura de custos das máquinas. Se os componentes mecânicos estão a tornar-se mais acessíveis devido à escala de produção, a procura por poder de computação avançado está a disparar, tornando os processadores de alto desempenho e os chips de IA o principal investimento dos fabricantes. Este cenário exige uma colaboração estreita entre criadores de hardware, operadores de telecomunicações e especialistas em software para garantir a conectividade de baixa latência e a análise de dados em tempo real. No final, as regiões que conseguirem alinhar políticas regulamentares com este desenvolvimento tecnológico serão as que captarão a maior fatia dos benefícios económicos desta nova era industrial.