O conceito de Smart City está a atravessar uma transformação profunda, evoluindo para uma visão integrada onde a tecnologia é guiada pelas necessidades dos cidadãos e por metas de sustentabilidade, em vez de ser apenas uma demonstração de inovação isolada. No próximo dia 10 de abril de 2026, a Sociedade sobre Implicações Sociais da Tecnologia (SSIT) do IEEE irá promover um webinar estratégico conduzido pelo especialista Gustavo Antonio Giannattasio Zünd, focado no papel crucial da convergência digital na gestão dos sistemas urbanos do futuro. A tese central desta apresentação defende que as cidades inteligentes devem ser interpretadas como complexos “sistemas de sistemas”, onde a integração fluida de dados permite uma melhoria real na qualidade de vida.
A arquitetura desta nova cidade começa com a Internet das Coisas (IoT) como camada fundamental de deteção e recolha de dados em tempo real. Sobre esta base, a Inteligência Artificial e a AIoT introduzem capacidades preditivas e automação inteligente que prometem revolucionar domínios como a mobilidade, a energia e a gestão de resíduos. Os Gémeos Digitais surgem aqui como uma ponte vital, permitindo que as cidades criem réplicas virtuais das suas infraestruturas para monitorizar o desempenho, simular cenários de crise e planear a resiliência urbana com base em evidências concretas.
A evolução tecnológica culmina no “Cityverse”, uma camada do Metaverso onde as infraestruturas físicas e os ecossistemas digitais interativos se fundem. Neste ambiente, os decisores e os cidadãos podem colaborar na simulação de políticas e na co-criação de soluções urbanas em tempo real, utilizando tecnologias de realidade virtual e aumentada para uma interação imersiva. Casos de estudo na América Latina já demonstram o sucesso destas ferramentas na otimização do tráfego e na segurança pública, embora o caminho para a sua implementação total ainda enfrente desafios significativos em termos de interoperabilidade, cibersegurança e ética.
Gustavo Zünd, um veterano na área com vasta experiência em normas do IEEE e consultoria em adoção digital, sublinha que o futuro das cidades resilientes dependerá de modelos de inovação centrados nas pessoas e em padrões éticos rigorosos. A transição para estes sistemas inteligentes exige não só o desenvolvimento de competências tecnológicas, mas também a evolução paralela de quadros regulamentares que garantam uma governação responsável e sustentável perante as novas tendências da IA autonómica e dos sistemas multimodais.