A equipa de investigadores liderada por Mirko Lai e Giancarlo Ruffo estabelece uma fronteira analítica clara entre a capacidade de aceder a serviços básicos e a integração de um bairro na malha global da cidade. Enquanto a acessibilidade se foca na escala da hiperproximidade — o pilar da cidade de 15 minutos —, o conceito de proximidade ou closeness mede a robustez das ligações de um ponto específico a todo o ecossistema urbano através das redes de transportes públicos.
A acessibilidade é calculada através de um indicador multidimensional que combina o tempo de deslocação com a densidade e a diversidade, ou entropia, dos serviços disponíveis num raio percorrível a pé ou de bicicleta. Este parâmetro avalia se as necessidades diárias, como alimentação, saúde ou educação, estão garantidas localmente. Em contraste, a proximidade é avaliada através da centralidade de proximidade (closeness centrality), um cálculo baseado na teoria de redes que determina quão central ou isolado um local está em relação a todos os outros pontos da cidade através da rede de transportes.
O estudo destaca que estas duas dimensões são largamente independentes, uma vez que a correlação entre elas a nível municipal é fraca ou inexistente. Paris surge como um exemplo paradigmático neste diagnóstico: embora apresente os melhores níveis de acessibilidade local no ranking mundial, a cidade revela uma conectividade de rede (closeness) significativamente mais baixa, sugerindo que ter serviços “à porta de casa” não significa estar bem ligado ao resto da metrópole.
Esta separação analítica permite aos investigadores detetar padrões de segregação espacial onde bairros com boa oferta comercial e de saúde podem sofrer de isolamento topológico por falta de transportes eficientes para o resto da metrópole. O estudo conclui que os planeadores urbanos devem olhar para além da métrica dos 15 minutos, integrando a conectividade global para evitar que a hiperproximidade mascare desigualdades socioeconómicas e crie ilhas de isolamento voluntário ou forçado.