Automóvel continua a dominar as deslocações na Grande Lisboa

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O automóvel continua a ocupar uma posição dominante nas deslocações realizadas na Área Metropolitana de Lisboa, apesar da redução do preço dos transportes públicos proporcionada pelo passe Navegante. Segundo o estudo “Tendências Urbanas de Mobilidade 2026”, do Observatório do Automóvel Club de Portugal, 67% dos residentes inquiridos identificam o automóvel como o seu modo de transporte preferido e 59% utilizam-no efetivamente nas deslocações habituais.

Os resultados mostram que a dependência do transporte individual não decorre apenas do preço ou da duração das viagens. Cerca de 46% dos participantes percorrem menos de dez quilómetros nas suas deslocações diárias, mas 34% afirmam não encontrar uma alternativa suficientemente conveniente ao automóvel. Outros 22% justificam a escolha com a flexibilidade proporcionada pelo transporte individual.

A frequência do transporte público surge como um dos principais fatores capazes de alterar estes comportamentos. Quase metade dos inquiridos admite que utilizaria mais os transportes coletivos caso a oferta fosse reforçada. O resultado sugere que a política tarifária, embora importante, não é suficiente para promover uma mudança modal significativa quando não é acompanhada por maior frequência, cobertura territorial, regularidade e facilidade de transbordo.

O estudo, realizado junto de 1.850 adultos residentes nos 18 municípios da Área Metropolitana de Lisboa, evidencia igualmente as consequências da atual estrutura de mobilidade. O excesso de trânsito é referido como uma preocupação por 46% dos participantes e a falta de estacionamento por 42%. Apesar da forte utilização do automóvel, apenas cerca de um quarto dos inquiridos se declara satisfeito com a forma como realiza as suas deslocações.

Os resultados reforçam a necessidade de atuar simultaneamente sobre a oferta de transporte público e sobre as condições de utilização do automóvel. Aumentar frequências, melhorar as ligações entre redes e assegurar alternativas competitivas nas deslocações periféricas poderá produzir efeitos mais duradouros do que medidas exclusivamente tarifárias. Ao mesmo tempo, a gestão do estacionamento, a prioridade ao transporte coletivo e a organização do espaço viário permanecem instrumentos essenciais para reduzir a vantagem relativa do automóvel.

Fonte principal: Batista, A. (2026, 12 de julho). “O meu reino por um carro. 67% não largam o transporte individual na Grande Lisboa”. ECO.