O desafio da execução: e-commerce em Portugal exige mais do que apenas vender

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O comércio eletrónico em Portugal atravessa um momento de consolidação estrutural em que a vantagem competitiva se desloca da montra digital para a eficácia da operação logística. Os resultados da primeira vaga de 2026 do Barómetro e-Commerce dos CTT revelam que 85,1% das empresas do setor registaram um crescimento das vendas online no último ano, com uma subida média estimada em 10,5%. Para o primeiro semestre deste ano, a perspetiva mantém-se otimista, prevendo-se um novo aumento de 9,5%, o que confirma que o canal online já não é um complemento, mas uma componente que representa mais de 15% do volume total de negócios para metade dos operadores.

Este peso crescente obriga a uma revisão profunda das redes de distribuição e das promessas de entrega. O mercado demonstra uma recetividade cada vez maior a modelos de entrega “out of home”, como cacifos (lockers), pontos de conveniência e sistemas de recolha em loja, que permitem aliviar a pressão sobre a última milha urbana e garantir uma maior taxa de sucesso à primeira tentativa. Curiosamente, a febre das entregas no próprio dia parece estar a dar lugar a uma maior seletividade, com quase 47% dos inquiridos a não preverem disponibilizar este serviço, privilegiando antes um equilíbrio entre a gratuitidade, a velocidade e, acima de tudo, a previsibilidade da entrega.

No campo da logística inversa, o setor caminha para a simplificação da experiência do utilizador através de devoluções sem necessidade de impressão de guias, as chamadas “labelless”. No entanto, existe uma tendência clara para que os custos destes retornos passem a ser suportados, total ou parcialmente, pelos compradores, de forma a reduzir a pressão financeira sobre os operadores. Ao mesmo tempo, a Inteligência Artificial e a análise de dados surgem como a prioridade absoluta de investimento tecnológico para a grande maioria dos especialistas, embora o seu uso atual esteja ainda muito concentrado na frente comercial e no serviço ao cliente, restando margem para uma maior integração na orquestração da operação física e no planeamento de transportes.

A sustentabilidade operacional é também uma peça central desta engrenagem, com o foco a recair sobre as iniciativas de mais fácil implementação, como a utilização de embalagens recicláveis e o recurso a frotas de veículos elétricos. Embora o estudo não abranja os fluxos de grandes plataformas internacionais, o sentimento captado entre os 47 painelistas consultados indica que o sucesso futuro dependerá da capacidade de entregar melhor, gerir devoluções com custos controlados e investir em tecnologia com critério. Em suma, a competitividade joga-se agora na sofisticação da execução e na robustez da cadeia de abastecimento.

Fonte Principal: Barómetro CTT: e-commerce continua a crescer, mas pressiona logística, entregas e devoluções – Supply Chain Magazine