Comboios de alta velocidade: UNIFE propõe que poluidores paguem a fatura da rede europeia

//

w2g

A UNIFE (Associação da Indústria Ferroviária Europeia) apresentou um plano de financiamento estratégico que poderá finalmente desbloquear a construção de uma rede transeuropeia de comboios de alta velocidade. A proposta assenta numa premissa de justiça ambiental: utilizar as receitas geradas pelos principais poluidores do setor dos transportes, nomeadamente através do Regime de Comércio de Licenças de Emissão (ETS) da União Europeia, para financiar a expansão ferroviária. O objetivo é atrair tanto fundos públicos como capital privado para concretizar um projeto cujo custo estimado ascende aos 345 mil milhões de euros.

Para alcançar este montante ambicioso, a associação delineou várias vias financeiras que incluem o desenvolvimento de obrigações de infraestrutura. Estes títulos de dívida, garantidos por receitas futuras de utilização e transporte de mercadorias, visam captar o interesse de fundos de pensões e fundos soberanos. Adicionalmente, o plano prevê o acesso ao novo Fundo de Competitividade da UE, no valor de 409 mil milhões de euros, conforme sugerido no relatório Draghi, bem como a duplicação do orçamento do Mecanismo Interligar a Europa para 100 mil milhões de euros no quadro financeiro 2028-2034.

A segurança e a autonomia tecnológica são também pilares centrais desta estratégia. A UNIFE defende uma atualização urgente das diretivas de contratação pública para salvaguardar a rede, que é considerada uma infraestrutura crítica e fundamental para a mobilidade militar dentro do continente. Esta medida pretende mitigar riscos associados a licitadores controlados por Estados estrangeiros que possam comprometer a soberania da rede europeia. Segundo Enno Wiebe, Diretor-Geral da UNIFE, a própria coesão da União e as suas ambições climáticas dependem desta rede de nova geração, que poderá gerar benefícios económicos na ordem dos 750 mil milhões de euros através da criação de emprego e crescimento.

A Comissão Europeia, que já tinha anunciado o Plano de Alta Velocidade em novembro de 2025, deverá apresentar os detalhes finais sobre os modelos de financiamento no final de setembro de 2026. Até lá, o debate centra-se na urgência de uma rede que ligue passageiros e cadeias de abastecimento de forma sustentável, garantindo que o setor ferroviário assume o seu papel de liderança na descarbonização da mobilidade europeia.

Fonte Principal: Make polluters pay, let investors build Europe’s High-Speed Rail Network – UNIFE