A visão inteligente da XPeng: como o software e a inteligência artificial estão a redefinir a autonomia ao volante

//

w2g

No competitivo panorama da mobilidade elétrica, a fabricante chinesa XPeng tem-se posicionado não apenas como uma construtora de automóveis, mas como uma empresa tecnológica focada na autonomia total. O núcleo desta estratégia reside no sistema XNGP (XPENG Navigation Guided Pilot), uma solução de assistência à condução de cenário completo desenvolvida internamente que permite ao veículo realizar tarefas complexas como cruzar cruzamentos, mudar de faixa e contornar obstáculos sem intervenção humana constante. Recentemente, a marca deu um passo disruptivo ao introduzir o AI Tianji OS, o primeiro sistema operativo da indústria que aplica inteligência artificial tanto no cockpit inteligente como nos sistemas de condução, utilizando um modelo visual de rede de ocupação 2K que identifica obstáculos através de dois milhões de grelhas de alta precisão.

O grande diferenciador da XPeng face aos seus concorrentes diretos reside na transição para um sistema de “visão pura”. Ao contrário de modelos anteriores e de muitos rivais que dependem fortemente de sensores LiDAR e mapas de alta definição, os novos modelos como o P7+ utilizam a solução AI Hawkeye Vision. Esta tecnologia permite que o veículo navegue em todo o país sem necessidade de mapeamento prévio complexo, o que facilita a sua implementação em diferentes mercados globais onde a cobertura de mapas HD é inexistente. Além disso, a potência de processamento da XPeng é agora alimentada pelos seus próprios chips Turing AI, que oferecem uma capacidade de processamento capaz de superar plataformas consagradas como o Nvidia AGX Thor ou o chip AI4 da Tesla, garantindo redundância e precisão crítica em situações de emergência. Prova desta eficácia foi o teste de travagem autónoma do modelo G7, que conseguiu imobilizar-se com sucesso a uma velocidade de 135 km/h perante um obstáculo estático.

As perspetivas de futuro para a marca são ambiciosas e passam pela democratização da condução autónoma de Nível 4. A XPeng planeia lançar três modelos de Robotaxis produzidos em massa já em 2026, com o objetivo de iniciar operações piloto no mesmo ano. Ao contrário de demonstrações limitadas, a empresa procura uma implementação escalável, utilizando uma arquitetura denominada VLA 2.0, desenhada para se adaptar a diferentes hábitos de condução globais. O horizonte traçado pelo CEO He Xiaopeng prevê que as capacidades de software para uma condução totalmente autónoma — onde o condutor de supervisão é eliminado — sejam atingidas em larga escala até 2027. Este ecossistema não será fechado, pois a marca pretende permitir que parceiros internacionais utilizem a sua plataforma e tecnologia, expandindo a pegada tecnológica chinesa para além das suas fronteiras através de colaborações estratégicas, como a que já mantém com o Grupo Volkswagen.

Fonte Principal: XPeng Inc. (2026). Annual Report (Form 20-F) for the fiscal year ended December 31, 2025.