Nova Iorque acelera rumo ao futuro: A estratégia para uma frota de transporte totalmente verde até 2030

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A cidade de Nova Iorque está a implementar uma das transformações mais ambiciosas da sua história urbana através da Green Rides Initiative, um plano estratégico que obriga todas as viagens de veículos de transporte partilhado, como a Uber e a Lyft, a serem realizadas por veículos de emissões zero (ZEV) ou veículos acessíveis a cadeiras de rodas (WAV) até ao final da década. Esta medida, integrada no plano climático alargado “PlaNYC: Getting Sustainability Done”, não é apenas uma meta ambiental, mas um pilar central para reduzir as emissões de transporte da metrópole em 50% até 2030.

O sucesso desta transição assenta num calendário de metas progressivas que começou em 2024 com a exigência de que 5% das viagens fossem sustentáveis, subindo para 15% em 2025 e 25% em 2026. A partir de 2027, o ritmo acelera com um aumento anual de 20 pontos percentuais até atingir o objetivo pleno em 2030. Os dados mais recentes revelam que a cidade está a queimar etapas: em agosto de 2024, 19% das viagens já eram realizadas em veículos elétricos ou acessíveis, superando largamente o objetivo inicial de 5% e poupando milhares de toneladas de emissões de CO2.

Para liderar pelo exemplo, a própria Taxi and Limousine Commission (TLC) comprometeu-se a eletrificar a sua frota municipal de fiscalização e apoio até 2027, três anos antes do prazo imposto ao setor privado. Este esforço público é acompanhado por uma mudança rigorosa na política de licenciamento: desde outubro de 2023, apenas veículos elétricos ou acessíveis são elegíveis para novas licenças de transporte de passageiros, fechando a porta à entrada de novos carros a combustão no sistema.

A infraestrutura de carregamento é o grande motor que sustenta esta estratégia. A cidade está a expandir agressivamente a sua rede de carregadores rápidos, exemplificada pela recente abertura de uma estação de alta capacidade em Flushing, Queens, uma zona onde reside uma elevada concentração de motoristas. Através de parcerias com entidades como a Con Edison e a Autoridade de Energia de Nova Iorque (NYPA), o plano prevê a instalação de 40.000 carregadores de Nível 2 e 6.000 pontos de carga rápida até 2030 para eliminar os atuais estrangulamentos e a desigualdade geográfica no acesso à energia.

Para mitigar o esforço financeiro dos motoristas, que muitas vezes operam como pequenos empresários, Nova Iorque oferece um ecossistema de incentivos que inclui reembolsos estaduais “Drive Clean” de até 2.000 dólares, créditos fiscais federais que podem chegar aos 7.500 dólares e descontos diretos de 15% nos custos de carregamento em postos municipais. Além disso, os veículos elétricos beneficiam de passes verdes para descontos em portagens e acesso a vias de alta ocupação, tornando a operação elétrica mais rentável a longo prazo do que a utilização de combustíveis fósseis.

Um aspeto distintivo da estratégia nova-iorquina é a proteção da inclusividade. A cidade determinou que a transição para emissões zero não pode ser feita à custa da acessibilidade. Por isso, as viagens em veículos preparados para cadeiras de rodas (WAV) contam para as metas de sustentabilidade, mesmo que ainda não sejam elétricos, enquanto a indústria automóvel desenvolve soluções que unam estas duas vertentes. Este compromisso garante que Nova Iorque se torne não apenas uma cidade mais limpa, mas um território onde a mobilidade de vanguarda está ao serviço de todos os cidadãos.