Estradas europeias registam queda de 3% na mortalidade, mas meta de 2030 permanece um desafio

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As estradas da União Europeia registaram uma evolução positiva no último ano, com os dados preliminares de 2025 a apontarem para um total de 19 400 vítimas mortais, o que representa uma redução de 3% face ao ano anterior. Esta descida traduz-se em menos 580 vidas perdidas num contexto em que o número de veículos e de quilómetros percorridos tem vindo a aumentar, um feito que a Comissão Europeia considera significativo, embora insuficiente face às metas de longo prazo. Olhando para um horizonte mais alargado, a quebra de sinistralidade atinge os 15% quando comparada com o ano de 2019, o ano de referência para as atuais políticas comunitárias.

Apesar destes progressos, o alinhamento com os objetivos europeus continua sob pressão. A União Europeia estabeleceu o compromisso de reduzir para metade o número de mortes e feridos graves até 2030, caminhando para a “Visão Zero” em 2050, que pretende eliminar totalmente as fatalidades nas estradas. Contudo, o relatório mais recente adverte que a maioria dos Estados-Membros não está ainda no caminho certo para cumprir a meta de 2030, sendo necessário intensificar esforços na segurança das infraestruturas, dos veículos e na fiscalização transfronteiriça.

O mapa da segurança rodoviária europeia revela disparidades profundas entre os países membros. No topo da segurança mantêm-se a Suécia e a Dinamarca, com as taxas de mortalidade mais baixas do continente, fixando-se respetivamente em 20 e 23 mortes por milhão de habitantes. No extremo oposto, a Bulgária e a Roménia continuam a apresentar os indicadores mais preocupantes, com taxas de 71 e 68 fatalidades por milhão de habitantes, respetivamente, apesar de a Roménia ter registado uma descida notável de 12% no último ano. Destacam-se ainda quedas impressionantes na Estónia e na Grécia, que reduziram a sua mortalidade rodoviária em 38% e 22% num único ano.

Portugal segue a tendência europeia de melhoria, mas mantém-se acima da média da União Europeia, que é de 43 mortes por milhão de habitantes. Em 2025, o país registou uma taxa de 55 mortes por milhão de habitantes, o que reflete uma descida de 5% em relação a 2024 e uma redução consolidada de 14% face a 2019. Embora o país esteja a conseguir baixar os números absolutos, o ritmo de descida terá de ser acelerado para se aproximar dos líderes europeus e cumprir os objetivos da próxima década.

A análise detalhada dos acidentes indica que as estradas rurais continuam a ser o cenário mais mortífero, concentrando 53% das fatalidades, enquanto as áreas urbanas representam 38%. Nestas últimas, a vulnerabilidade é extrema para peões e ciclistas, que constituem 70% das vítimas em meio urbano. O relatório sublinha ainda uma forte disparidade de género, com os homens a representarem 77% das mortes na estrada, e uma preocupação crescente com o aumento de acidentes fatais envolvendo dispositivos de mobilidade pessoal, como trotinetes elétricas.