A plataforma Changing Transport publicou, em 8 de julho, uma avaliação de risco climático aplicada à mobilidade urbana de Shkodra, na Albânia, desenvolvida no âmbito de um projeto regional da GIZ. O relatório procura criar uma base empírica para integrar a resiliência climática no planeamento local, nas futuras atualizações do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável e nos processos municipais de contratação e investimento em infraestrutura.
O caso de Shkodra é particularmente relevante porque combina uma forma urbana compacta, uma forte presença dos modos ativos e uma rede de transporte público descrita como pouco fiável. Segundo a publicação, caminhar e andar de bicicleta representam quase dois terços das viagens diárias, o que faz da proteção da mobilidade quotidiana uma questão central de adaptação climática e não apenas de política ambiental.
A vulnerabilidade da cidade resulta também da sua localização hidrológica, junto à confluência dos rios Buna, Drin e Kir, e de uma geografia plana exposta a alterações nos padrões de precipitação. Estes fatores aumentam o risco de interrupção das deslocações diárias, afetando a segurança, o conforto e a continuidade estrutural dos percursos urbanos.
A principal lição para outros municípios é que os planos de mobilidade não devem limitar-se a metas de repartição modal, emissões ou acessibilidade. Num contexto de maior frequência de fenómenos extremos, a robustez das redes pedonais, cicláveis e de transporte público deve ser avaliada em função da exposição a cheias, calor, degradação de pavimentos, interrupções operacionais e capacidade de resposta municipal. A mobilidade urbana sustentável passa, cada vez mais, por garantir que os modos mais desejáveis são também os mais protegidos.
Fonte principal: Changing Transport. (2026, 8 de julho). Climate Risk Assessment of Urban Mobility in Shkodra.