SPIRIT: O cérebro digital que liga o carro elétrico português às cidades inteligentes

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No coração do BEN, o primeiro microcarro elétrico português com homologação europeia, reside uma arquitetura tecnológica que subverte a lógica tradicional da indústria automóvel. Designada como SPIRIT, esta plataforma digital funciona como uma camada de software externa ao veículo (out-of-car), atuando como o sistema nervoso central que permite ao BEN evoluir continuamente e integrar-se de forma plena no ecossistema urbano.

Uma das funcionalidades mais críticas da SPIRIT é a gestão inteligente do acesso e da identidade. Através de sistemas biométricos, a plataforma identifica o utilizador e autoriza a utilização do veículo mediante uma chave digital partilhada com a comunidade. Esta funcionalidade é o que viabiliza o modelo de negócio disruptivo do projeto: a partilha não apenas do uso, mas também da posse, incentivando uma utilização intensiva que ajuda a reduzir o número de carros estacionados nas vias públicas.

Para além da operação básica, a plataforma recorre a inteligência artificial e análise de dados para configurar o veículo à medida de cada serviço e utilizador. Esta capacidade é reforçada pela criação de um Digital Twin (gémeo digital) em tempo real, que monitoriza o estado do veículo e das infraestruturas circundantes, garantindo uma conectividade sem falhas com serviços de transporte público e outras plataformas municipais.

O pilar da sustentabilidade ganha uma expressão prática através da integração da tecnologia AYR na plataforma SPIRIT. O sistema monitoriza e quantifica continuamente as emissões de dióxido de carbono evitadas durante cada quilómetro percorrido, em comparação com um veículo de combustão. Esta monitorização em tempo real não serve apenas para fins informativos; é a ferramenta que permite ao projeto cumprir a promessa de anular a pegada de CO2 associada à fase de produção do carro através do seu uso quotidiano.

Concebida para ser escalável e adaptável, a SPIRIT permite que o BEN adote e atualize software a qualquer momento e em qualquer lugar. Esta flexibilidade assegura que o veículo já nasce preparado para futuras evoluções tecnológicas, como a condução autónoma, mantendo-se sempre ligado à infraestrutura digital da cidade que o acolhe.