O amadurecimento da mobilidade elétrica: da expansão física à aceleração da potência

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O setor da mobilidade elétrica na Europa está a atravessar uma fase de transição crítica, onde o foco absoluto na expansão do número de postos de carregamento está a dar lugar a uma estratégia centrada na capacidade e na performance da rede. Segundo o Charging Report 2026, embora o crescimento de novos pontos de carregamento públicos tenha abrandado para os 19% em 2025, a capacidade total de carregamento disparou 36%, sinalizando que o mercado está a investir em infraestruturas significativamente mais potentes para responder a uma frota de veículos elétricos a bateria (BEV) que continua a ganhar escala.

Com mais de 1,2 milhões de pontos públicos já instalados no continente, a rede europeia atingiu um patamar de maturidade que exige agora uma gestão inteligente. A potência média de carregamento subiu para os 43 kW, e os carregadores ultra-rápidos (superiores a 150 kW) já representam quase 12% da infraestrutura total. Este movimento é acompanhado por uma maior acessibilidade dos veículos; em 2025, o lançamento de 63 novos modelos BEV e a descida dos preços de retalho ajudaram a democratizar a adoção, reduzindo a ansiedade com a autonomia à medida que a eficiência das baterias melhora.

No entanto, este crescimento enfrenta um novo e rigoroso obstáculo: as restrições da rede elétrica. A capacidade de garantir potência suficiente para hubs de alta velocidade tornou-se o principal estrangulamento para os operadores. Para contornar esta barreira sem a necessidade de atualizações de infraestrutura lentas e dispendiosas, a integração de sistemas de armazenamento de energia em baterias nos locais de carregamento e o recurso à inteligência artificial para a gestão energética tornaram-se imperativos estratégicos. A IA está a permitir otimizar horários de carregamento, mitigar picos de consumo e viabilizar o carregamento bidirecional (V2G), que transforma os veículos em ativos capazes de devolver energia à rede, gerando novas fontes de receita.

Geograficamente, os países nórdicos e o Benelux continuam a ser as referências em termos de adoção e densidade de rede, mas o relatório destaca a ascensão fulgurante da Europa de Leste. Países como a Estónia, Letónia e Roménia lideram agora as taxas de expansão da capacidade de carregamento, revelando-se como mercados de elevada oportunidade para investimento. Globalmente, o mercado de infraestruturas deverá atingir um valor de 93,57 mil milhões de dólares em 2026, com uma projeção de crescimento contínuo que poderá ultrapassar os 249 mil milhões até ao final da década.

O futuro próximo será definido pela interoperabilidade e pela excelência na experiência do utilizador. À medida que o ecossistema amadurece, a consolidação de redes e a adoção de padrões universais de pagamento e acesso serão fundamentais para eliminar a fricção nas viagens de longo curso. Modelos de negócio como o “Charging-as-a-Service” estão a ganhar tração entre frotas e retalhistas, permitindo a instalação de infraestruturas com menores riscos financeiros iniciais. Em suma, a competitividade no setor pertence agora a quem conseguir orquestrar e monetizar a flexibilidade das redes de forma mais eficiente.