Crise no Médio Oriente asfixia logística global e dispara custos de transporte

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O panorama logístico mundial enfrenta em março de 2026 uma “tempestade perfeita” provocada pelo agravamento do conflito no Irão, que está a redesenhar as rotas comerciais e a empurrar a inflação para níveis alarmantes. Segundo dados da última atualização da PLP Networks, baseada em análises da The Economist e da OCDE, a normalização do mercado de petróleo e gás poderá demorar mais de quatro meses, mesmo que as hostilidades cessem de imediato. A produção de crude no Golfo caiu para 40% dos níveis pré-guerra e a infraestrutura de GNL no Qatar sofreu danos que poderão levar cinco anos a reparar, agravando a escassez energética global.

Este cenário de instabilidade reflete-se diretamente no bolso dos consumidores e das empresas, com a OCDE a rever em alta a previsão da inflação nos Estados Unidos para 4,2% este ano. O preço do diesel nos EUA já ultrapassou os 5,38 dólares por galão, um aumento superior a 50% num ano, o que levou os serviços postais norte-americanos (USPS) a introduzir, pela primeira vez, uma sobretaxa de combustível de 8% em todas as encomendas a partir de abril. No setor do transporte rodoviário, a situação é crítica; as tarifas de frete subiram até 20% num contexto de escassez de motoristas, agravada por novas regulamentações federais mais rigorosas, como a proposta “Lei de Delilah”, que ameaça invalidar cartas de condução comerciais de não-residentes.

No mar e no ar, a paralisia é igualmente evidente. Pela primeira vez desde o início do conflito, gigantes do transporte marítimo como a COSCO tentaram forçar a passagem pelo Estreito de Ormuz, mas foram obrigados a recuar devido aos riscos incontroláveis. Como consequência, as transportadoras estão a implementar taxas de emergência e de combustível, enquanto as rotas aéreas entre a Ásia e a Europa registam subidas de preços até 25% devido ao encerramento de espaços aéreos estratégicos no Médio Oriente. Enquanto os grandes operadores suspendem serviços, as transportadoras regionais tentam preencher o vazio, embora enfrentem riscos de segurança e congestionamentos portuários significativos.

Apesar da crise, o setor procura saídas na inovação e na transição energética. Os Estados Unidos estão a acelerar o desenvolvimento de Pequenos Reatores Modulares (SMRs), como o projeto da TerraPower apoiado por Bill Gates, o que gera uma nova procura por logística especializada para carga pesada. Paralelamente, Jeff Bezos anunciou um fundo de 100 mil milhões de dólares para reconstruir cadeias de abastecimento através da Inteligência Artificial, visando encurtar os tempos de fabrico e otimizar a logística de última milha. No campo aduaneiro, as empresas correm agora para garantir reembolsos de tarifas através dos sistemas eletrónicos da alfândega americana, preparando-se para o fim das taxas da administração Trump em julho e a entrada em vigor de novas barreiras comerciais.