Os ministros das Finanças da União Europeia reúnem-se com o objetivo de coordenar uma estratégia unificada para enfrentar a escalada dos preços da energia, impulsionada pela instabilidade geopolítica no Médio Oriente. O atual choque de preços, desencadeado pelos ataques iniciados a 28 de fevereiro, remete para a crise energética vivida após a invasão da Ucrânia em 2022, exigindo agora uma resposta que proteja os consumidores vulneráveis sem comprometer as metas de transição para energias limpas. A Comissão Europeia sublinha que a coordenação é o caminho essencial para evitar a fragmentação do mercado interno e potenciar economias de escala, reduzindo a necessidade de intervenções estatais desmedidas.
Apesar de a Europa ter aumentado a quota de energias renováveis para 48%, a dependência do petróleo continua a ser um ponto crítico, especialmente no setor dos transportes. Atualmente, a grande maioria dos automóveis e camiões que circulam no continente ainda depende de combustíveis fósseis, numa altura em que cerca de 20% do abastecimento de petróleo, proveniente do Golfo Pérsico, se encontra praticamente inacessível devido ao bloqueio das rotas comerciais. Perante este cenário, o apoio ao transporte público e o incentivo à eficiência energética na indústria surgem como pilares fundamentais para reduzir a procura e mitigar o impacto dos custos elevados.
Entre as medidas em discussão, destaca-se a proposta de apoiar diretamente o rendimento das famílias mais carenciadas, uma opção que a Comissão considera preferível por não distorcer os sinais de mercado. Estuda-se também a possibilidade de implementar sistemas de preços diferenciados para eletricidade e gás, onde o valor aumenta consoante o consumo, incentivando a poupança energética enquanto se oferece alívio financeiro imediato. Estas intervenções deverão ter datas de conclusão bem definidas e poderão ser financiadas através das receitas do Sistema de Comércio de Emissões de Carbono ou pela tributação de lucros extraordinários das empresas do setor energético.