Distrito Federal desenha o futuro da mobilidade para a próxima década com forte participação popular

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O planeamento da mobilidade urbana no Distrito Federal para os próximos dez anos entrou numa fase decisiva com a apresentação do Plano Diretor de Transporte e Mobilidade Sustentável (PDTM). Durante a quarta audiência pública, realizada no auditório do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), técnicos da Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) e do Labtrans da Universidade Federal de Santa Catarina revelaram um documento que unifica a atualização das diretrizes de transporte e as metas de sustentabilidade da região. O projeto destaca-se pelo elevado nível de envolvimento cívico, tendo consolidado até ao momento cerca de 6.200 sugestões da população recolhidas através de oficinas regionais, reuniões virtuais e consultas online.

O novo plano expandiu os seus horizontes de intervenção, passando de cinco para sete cenários de obras e ações baseados no contributo dos cidadãos. Entre as propostas mais ambiciosas, integradas no chamado “cenário 7”, destacam-se projetos de grande envergadura que exigem elevados níveis de investimento, como a implementação da Linha 2 do Metropolitano — que deverá ligar o Eixo Monumental a Santa Maria e ao Gama — e a criação de novos corredores de BRT para Planaltina e São Sebastião. Outra novidade relevante é a previsão de um comboio regional para ligar Águas Lindas de Goiás à rodoferroviária, além da expansão de faixas exclusivas para autocarros aproveitando a rede viária já existente.

Para além das infraestruturas, o PDTM introduz mecanismos inovadores de gestão e transparência. Ao contrário de planos anteriores, este novo documento prevê uma ligação direta com as leis orçamentais para garantir a execução dos recursos e propõe a criação de um Órgão Gestor de Transporte e Mobilidade deliberativo, onde 50% da composição será ocupada por representantes da sociedade civil. Estão ainda previstas plataformas digitais de transparência e um sistema robusto de informações sobre transportes para permitir a monitorização constante por parte da população.

O processo de debate público continuará em abril com uma quinta audiência, solicitada pelo Ministério Público para alargar o tempo de análise da sociedade. Após a consolidação do relatório final, o projeto seguirá para deliberação na Câmara Legislativa no segundo semestre deste ano, marcando o início de uma nova era na gestão da mobilidade sustentável da capital brasileira.