Europa nos carris: A revolução da alta velocidade que quer encurtar o continente

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A Comissão Europeia lançou uma estratégia ambiciosa para transformar a mobilidade no continente, centrada num plano de ação para a alta velocidade ferroviária que visa criar uma rede fluida, rápida e acessível até 2040. Este roteiro estratégico surge como uma resposta direta à necessidade de descarbonização, pretendendo oferecer uma alternativa conveniente e limpa aos voos de curta distância e às viagens de carro, ao mesmo tempo que impulsiona a competitividade da indústria europeia e cria empregos qualificados. Trata-se de uma visão que não só aproxima os cidadãos, como também ajuda a aliviar a pressão demográfica nas grandes metrópoles, combatendo simultaneamente o isolamento de cidades mais pequenas.

Os objetivos fixados são claros e exigentes: a União Europeia pretende duplicar o tráfego ferroviário de alta velocidade até 2030 e triplicá-lo até 2050, tomando como referência os valores de 2015. Para que este cenário se materialize, a estratégia assenta na conclusão da rede transeuropeia de transportes (TEN-T), que prevê ligações superiores a 200 km/h entre os principais centros urbanos europeus, com uma integração total prevista para 2040. Atualmente, a rede ainda é considerada fragmentada, com a maioria das linhas concentrada em países como Espanha, França, Itália e Alemanha, deixando a Europa Central e Oriental com níveis de conectividade muito inferiores.

Para ultrapassar este fosso, a estratégia europeia foca-se na eliminação de barreiras técnicas e comerciais. Entre as medidas previstas estão a simplificação da venda de bilhetes através de plataformas digitais, a redução das taxas de acesso às vias para tornar os preços mais competitivos e o apoio à aquisição de novo material circulante por parte dos operadores. No campo do financiamento, o desafio é colossal: estima-se que a conclusão da rede planeada exija um investimento de 345 mil milhões de euros. Por isso, a Comissão propõe o “High-Speed Rail Deal” em 2026, um compromisso multilateral para mobilizar recursos públicos e privados, utilizando instrumentos como o Mecanismo Interligar a Europa e o Banco Europeu de Investimento.

No que toca a Portugal, a influência deste plano é determinante para a inserção do país no contexto ibérico e europeu. Um dos grandes destaques do roteiro é a redução drástica dos tempos de viagem entre capitais, estimando-se que a ligação entre Lisboa e Madrid possa ser feita em apenas 3 horas, contra as atuais 9 horas de trajeto. Além disso, o projeto de alta velocidade entre Lisboa e o Porto é citado como um exemplo de boas práticas no uso de modelos de financiamento inovadores, recorrendo a parcerias público-privadas apoiadas por fundos comunitários e garantias do InvestEU. Esta integração ferroviária é vista como essencial para que Portugal não fique isolado nas periferias da rede, permitindo uma conectividade rápida que pode chegar a Paris em cerca de 9 horas através do corredor Atlântico.