Dos domésticos aos ultrarrápidos: o guia completo sobre os níveis de carregamento elétrico

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O universo da mobilidade elétrica apresenta uma terminologia técnica que, embora pareça complexa, é essencial para que os utilizadores otimizem a utilização dos seus veículos e compreendam a infraestrutura disponível. A classificação do carregamento de veículos elétricos divide-se habitualmente em três níveis distintos, definidos primordialmente pela potência de saída, pela tensão e pela fonte de energia utilizada. À medida que se sobe nesta hierarquia, a velocidade de reposição de energia aumenta significativamente, reduzindo o tempo necessário para que o automóvel esteja pronto a circular.

O Nível 1 representa a forma mais básica e lenta de carregar um veículo, utilizando habitualmente uma fonte de alimentação de corrente alternada (AC) de baixa tensão, como as tomadas domésticas convencionais de 120V ou 230V. Com uma potência que varia tipicamente entre os 1,2 e os 2,5 quilowatts, este método é frequentemente reservado para situações de emergência ou para o carregamento noturno de longa duração em casa, podendo demorar até 24 horas para uma carga completa, dependendo da bateria. Já o Nível 2 é a solução padrão para habitações, hotéis e locais de trabalho em ambiente europeu, operando em corrente alternada com potências que oscilam habitualmente entre os 3,7 kW e os 22 kW. Neste patamar, a utilização de uma estação de parede dedicada permite que um carregamento total seja concluído num período muito mais curto, geralmente entre 3 a 8 horas.

No topo da pirâmide tecnológica encontra-se o Nível 3, vulgarmente conhecido como carregamento rápido ou ultrarrápido em corrente contínua (DC). Estas estações, localizadas estrategicamente em autoestradas, postos de abastecimento e centros logísticos, fornecem níveis de potência muito elevados, variando entre os 50 kW e os 360 kW ou mais. Esta tecnologia permite recuperar 80% da autonomia da bateria em apenas 20 a 30 minutos, sendo a solução ideal para viagens de longa distância. É importante notar que, dentro deste patamar, a indústria distingue o carregamento rápido, geralmente em torno dos 50 kW, do carregamento ultrarrápido, que opera em potências superiores a 120 kW.

Complementarmente a esta divisão por níveis, a regulamentação técnica em Portugal e na Europa define quatro Modos de carga, que especificam o tipo de ligação e a inteligência da comunicação entre o veículo e a rede. O Modo 1 refere-se à ligação direta a uma tomada doméstica sem proteção específica, enquanto o Modo 2 introduz uma caixa de controlo integrada no cabo para garantir funções básicas de segurança. O Modo 3, o mais recomendado para o dia a dia, exige a instalação de uma estação dedicada, como uma wallbox, que assegura uma proteção avançada e gestão inteligente da carga. Por fim, o Modo 4 é o exclusivo para o carregamento em corrente contínua através de um posto externo ao veículo, garantindo a máxima performance e segurança em alta potência.

Fonte Principal: Rápido ou lento? Navegar pelos níveis de carregamento de veículos eléctricos – Morek EV