A bicicleta como trunfo estratégico na crise energética europeia

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A volatilidade geopolítica e a dependência crítica dos combustíveis fósseis voltaram a colocar a Europa perante uma crise energética iminente, impulsionada por custos de importação que atingiram os 340 mil milhões de euros em 2025. Com os preços do gasóleo a rondar os 2,10 euros por litro e a gasolina os 1,85 euros, o peso financeiro sobre as famílias e a indústria tornou-se insustentável, motivando a Comissão Europeia a lançar a iniciativa AccelerateEU como uma resposta estrutural. Neste cenário, a indústria do ciclismo, representada pela European Cycling Industries (ECI), defende que a bicicleta é uma ferramenta de resiliência económica muito mais eficaz do que a simples substituição de automóveis a combustão por modelos elétricos. Considerando que a distância média percorrida diariamente pelos europeus é de apenas 27 quilómetros, a transição para as duas rodas surge como uma solução lógica, especialmente quando o custo de manutenção de um automóvel médio é seis vezes superior ao de uma bicicleta elétrica.

O plano AccelerateEU reconhece a importância da mudança de comportamentos na mobilidade, sugerindo aos Estados-Membros a introdução de subsídios e incentivos fiscais para a compra de bicicletas. Entre as medidas propostas, destaca-se o leasing de bicicletas através de esquemas de conversão salarial em frotas corporativas, um modelo que já provou o seu sucesso na Alemanha com mais de dois milhões de unidades contratadas em 2024. A Comissão aponta ainda para o reforço dos sistemas de partilha de bicicletas e para a promoção da logística de última milha através de bicicletas de carga. Esta última medida é vista como um ganho imediato para as cidades que pretendem reduzir rapidamente as importações de petróleo, substituindo carrinhas pesadas por soluções mais leves e eficientes. Para a ECI, o momento é de pressão política, cabendo agora aos governos nacionais traduzir estas diretrizes de Bruxelas em leis e incentivos concretos que garantam a segurança energética e a sustentabilidade urbana.

Fonte Principal: European Cycling Industries (2026). The European Commission recommends cycling to tackle the energy crisis: next steps.