Fórum Nacional de Mobilidade em Curitiba: O roteiro para o futuro das cidades brasileiras

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O Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana encerrou a sua 124.ª reunião na tarde desta quinta-feira, em Curitiba, consolidando-se como um espaço vital para desenhar a modernização do transporte público no Brasil. Ao longo de dois dias, o evento reuniu mais de duas centenas de especialistas, gestores e representantes de 75 cidades para discutir soluções práticas para o financiamento de frotas elétricas, a autonomia na bilhetagem e a segurança rodoviária através da educação. Promovido pela Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e pela Urbs, o encontro focou-se nos desafios impostos pelo novo Marco Legal do Transporte, uma reforma que pretende elevar os padrões de transparência e eficiência do setor em todo o país.

Um dos temas centrais foi a necessidade de os municípios assumirem a gestão direta dos seus sistemas de bilhetagem eletrónica, garantindo maior inteligência de dados e soberania no planeamento das redes de transporte. Durante os painéis, capitais como o Rio de Janeiro e São Paulo partilharam as suas experiências, enquanto Curitiba destacou como a sua autonomia tecnológica tem permitido um planeamento mais transparente e eficaz. Paralelamente, o avanço do Sistema de Informações de Mobilidade Urbana (Simu) — um projeto-piloto em teste em 14 cidades brasileiras em parceria com o Ministério das Cidades e o Banco Mundial — promete criar uma base de dados padronizada que será fundamental para a monitorização da qualidade do serviço a nível nacional.

A transição energética e a descarbonização das frotas também dominaram as discussões, com a participação de instituições financeiras como o BNDES e o BRDE, que apresentaram modelos de financiamento e parcerias público-privadas para a aquisição de autocarros elétricos. No entanto, a visão para uma cidade mais sustentável não se esgota na tecnologia dos veículos, estendendo-se à segurança dos cidadãos. O papel das escolas públicas de trânsito foi debatido à luz da nova Resolução 1020/2025, sublinhando-se a urgência de formar não apenas condutores mais conscientes, mas também de proteger e educar pedestres e ciclistas para construir um ambiente urbano mais seguro e civilizado.