AMAT: A ferramenta analítica que mede o valor de caminhar e pedalar

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O Active Mode Appraisal Toolkit, vulgarmente conhecido pela sigla AMAT, é uma ferramenta baseada em folhas de cálculo Excel, desenvolvida e publicada pelo Departamento de Transportes (DfT) do Reino Unido para estruturar e automatizar a avaliação económica de projetos de mobilidade ativa. Este recurso foi concebido especificamente para analisar os benefícios e custos totais de intervenções destinadas a promover o andar a pé e o uso da bicicleta, abrangendo desde grandes investimentos em infraestruturas físicas, como ciclovias segregadas ou pontes, até programas de mudança de comportamento e iniciativas locais.

A principal função do AMAT é apoiar os decisores políticos e promotores de projetos, fornecendo uma visão abrangente sobre o impacto real das propostas nos utilizadores, no ambiente, na sociedade e na economia. Ao quantificar e monetizar estes elementos, o toolkit permite calcular a rentabilidade pública de um projeto através do rácio benefício-custo (BCR), o que ajuda a determinar se o investimento representa um bom uso do dinheiro público através de uma métrica de “Value for Money”. O sistema foi desenhado para ser acessível, permitindo que técnicos com menos experiência em modelação complexa realizem análises rigorosas que respeitem as diretrizes nacionais de avaliação de transportes.

Em termos práticos, o AMAT serve para converter em valores monetários uma vasta gama de vantagens que frequentemente são ignoradas em análises tradicionais de custo-benefício. No campo da saúde, que representa tipicamente mais de metade dos benefícios totais, o sistema mede a redução do risco de mortalidade prematura e a diminuição do absentismo laboral resultante do aumento da atividade física. Avalia também a melhoria na qualidade das viagens, baseada na perceção de maior segurança e conforto proporcionada por infraestruturas de qualidade. Por fim, o modelo contabiliza os impactos positivos da transferência modal, ou seja, a retirada de automóveis das estradas, o que gera ganhos na redução do congestionamento, das emissões de gases de efeito estufa, da poluição sonora e da sinistralidade rodoviária.