A renaturalização das cidades deixou de ser uma questão meramente estética para se tornar uma ferramenta vital de saúde pública e resiliência urbana. Um estudo recentemente publicado na revista Landscape and Urban Planning por investigadores do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa demonstra que a implementação de soluções verdes pode reduzir o stress térmico urbano em até 40%. O trabalho de investigação, que decorreu ao longo de três anos, analisou as realidades da Área Metropolitana de Lisboa e de Islamabad, no Paquistão, sublinhando que o planeamento urbano deve integrar urgentemente o restauro da natureza para enfrentar o calor extremo.
A investigação detalha como diferentes intervenções produzem benefícios em momentos distintos do dia, oferecendo um guia prático para o ordenamento do território. Durante o período diurno, a plantação de árvores revela-se a estratégia mais eficaz, especialmente quando estas formam áreas verdes contínuas que proporcionam sombras densas e reduzem a temperatura das superfícies urbanas. Por outro lado, a remoção de superfícies impermeabilizadas, como o asfalto e o cimento, apresenta o maior impacto durante a noite, permitindo uma redução entre 10% e 20% no número de dias com stress térmico ao facilitar a dissipação do calor que o solo acumula durante o dia.
Apesar dos benefícios evidentes, a equipa liderada por Tiago Capela Lourenço e Inês Gomes Marques deixa um alerta importante sobre os limites destas intervenções. As soluções baseadas na natureza não são um substituto para as políticas globais de combate às alterações climáticas, funcionando apenas como um mecanismo de mitigação do calor urbano. Embora não consigam compensar totalmente os impactos climáticos futuros, estas estratégias são consideradas essenciais para prevenir riscos imediatos em zonas densamente povoadas. O estudo reforça ainda que os benefícios destas “ilhas verdes” tendem a ser localizados, o que exige um planeamento capilar e bem distribuído para que o conforto térmico não se limite apenas às áreas intervencionadas.
Fonte Principal: Estudo do CE3C demonstra o impacto positivo da renaturalização urbana – Construção Magazine (2026).