Bruxelas lança “radar” de combustíveis para evitar paralisia nos transportes e na aviação

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A Comissão Europeia decidiu reforçar a sua capacidade de antecipação perante a crise energética com a criação do Observatório de Combustíveis, uma nova estrutura de vigilância integrada no plano de emergência AccelerateEU. Este organismo funcionará como um centro de inteligência estratégica encarregue de monitorizar, de forma contínua, toda a cadeia de abastecimento, desde a produção e refinação interna até aos fluxos de importação e exportação, bem como os níveis exatos de reservas existentes em cada Estado-Membro. No âmbito das suas competências, o observatório terá ainda a capacidade de mapear a disponibilidade de stocks militares e a produtividade das refinarias europeias, sempre que essa informação for disponibilizada.

A principal missão desta ferramenta é identificar com rapidez potenciais situações de escassez que possam comprometer a mobilidade no espaço europeu. Ao deter uma visão clara e detalhada dos recursos disponíveis, o Observatório de Combustíveis permitirá que Bruxelas e os governos nacionais orientem com precisão a libertação de reservas de emergência, garantindo que o combustível chega onde é mais necessário e evitando desequilíbrios regionais no mercado interno. Esta coordenação torna-se vital num cenário de volatilidade extrema, como o que se vive atualmente devido ao conflito no Médio Oriente e aos constrangimentos no Estreito de Ormuz.

No setor da aviação, que é atualmente um dos mais pressionados pela dificuldade de acesso ao querosene, a intervenção deste observatório será determinante para assegurar a conectividade aérea durante a época alta do turismo. O organismo irá coordenar com os fornecedores, aeroportos e companhias aéreas a procura de fontes alternativas de combustível de aviação, otimizando a sua distribuição para evitar cancelamentos de voos e ruturas de serviço. Além da aviação, a monitorização incidirá de forma prioritária sobre o gasóleo, essencial para manter os fluxos de mercadorias e a sobrevivência logística de setores como a agricultura e as pescas, que enfrentam aumentos insustentáveis nos custos operacionais.