A Cidade de 15 minutos

Na sua recente campanha para reeleição como presidente da câmara municipal de Paris, Anne Hidalgo definiu como objetivo que todos os residentes da cidade devem conseguir suprir todo as suas necessidades diárias com uma curta caminhada ou passeio de bicicleta. Isto foi designado como a “cidade de 15 minutos” no seu manifesto eleitoral.

Existem 6 necessidades básicas que fazem qualquer cidadão urbano feliz:

  • Alojamento digno;
  • Trabalhar em condições adequadas;
  • Capacidade para adquirir mantimentos;
  • Bem-estar;
  • Educação;
  • Lazer.

A melhoria da qualidade de vida dos cidadãos depende do raio de acesso a cada uma das funções urbanas que satisfazem estas necessidades. Isto implica a mistura das diversas funções em cada bairro.

A mistura do maior número de usos possíveis dentro do mesmo espaço urbano desafia a ortodoxia tradicional do planeamento baseado no zonamento da cidade que separa as áreas residenciais, das comerciais, do lazer, dos serviços… A emergência do carro enquanto protagonista urbano fez acreditar que este modelo seria possível tendo-se intensificado o estilo de vida suburbano suportado por grandes redes de infraestruturas.


A Cidade dos 15 minutos (adaptado de “Paris en Commun”)

No conceito de Paris, os 15 minutos de acesso às atividades incluem deslocações em bicicleta.

Nas cidades consolidadas europeias, este conceito não será tão difícil de implementar quanto em cidades onde a expansão urbana seja superior com densidades mais baixas. Ainda assim, as opções por concentração e deslocalização de equipamentos escolares, de saúde ou comerciais para as periferias das cidades dificulta a implementação desta estratégia.

A Cidade de 15 minutos é uma cidade onde:

  • existe mais espaço de circulação destinado aos peões e aos ciclistas com remoção de espaço para circulação automóvel;
  • as ruas locais são transformadas em espaços públicos verdadeiros onde os carros (estacionados ou em circulação) são a exceção e os espaços verdes são omnipresentes.
  • os equipamentos públicos têm utilização múltipla (p. ex: escola de dia, espaço desportivo de noite);
  • o pequeno comércio local é incentivado e as grandes superfícies periféricas são penalizadas;
  • a rede de serviços de saúde é abrangente;
  • os serviços administrativos do Estado e do município estão distribuídos pelos diversos bairros.

São vários os desafios para esta transformação, nomeadamente aquelas que resultam do seu sucesso. A gentrificação com o consequente aumento do custo da habitação e atração de mais turistas é um efeito pernicioso que promove a iniquidade social.